Pegada hídrica agrícola e sustentabilidade nos polos de irrigação do Cerrado e do Cerrado–Amazônia, Brasil
Resumo
O setor agrícola do Brasil consome consideráveis recursos de água doce, particularmente no estado de Mato Grosso, que abriga um dos maiores complexos de irrigação do país, localizado nos biomas Cerrado e Amazônia. Dada a natureza finita desses recursos e seu uso intensivo na agricultura, a quantificação dos padrões de consumo de água pode subsidiar o desenvolvimento de políticas para a gestão sustentável dos recursos. Este estudo teve como objetivo estimar a pegada hídrica da soja de sequeiro, do milho safrinha e do feijão de inverno ao longo do bioma Cerrado e da zona de transição Cerrado–Amazônia no estado de Mato Grosso. As pegadas hídricas verde e azul foram determinadas por meio de cálculos de evapotranspiração das culturas para avaliar a demanda hídrica, enquanto a estimativa da pegada hídrica cinza incorporou taxas de aplicação de fertilizantes nitrogenados e parâmetros de lixiviação do solo. Os resultados mostraram pegadas hídricas médias na região do Cerrado de 1.486 m³ ton⁻¹ para a soja, 1.016 m³ ton⁻¹ para o milho e 2.084 m³ ton⁻¹ para o feijão. A zona de transição Cerrado–Amazônia apresentou valores de 1.476 m³ ton⁻¹ para a soja, 1.052 m³ ton⁻¹ para o milho e 1.898 m³ ton⁻¹ para o feijão. Esses indicadores de pegada hídrica revelam padrões de apropriação da água no cultivo agrícola, fornecendo métricas quantitativas para avaliar a sustentabilidade do uso da água na agricultura.
Palavras-chave: evapotranspiração, indicadores ambientais, sustentabilidade.
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