Mobilidade de oligoelementos em sistemas solo-água próximos a uma mina de urânio desativada: influência de fatores ambientais

  • Mariana de Oliveira Reis Departamento de Engenharia Nuclear. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Avenida Antônio Carlos, n°6627, CEP: 31270-901, Belo Horizonte, MG, Brazil.
  • Ricardo Geraldo de Sousa Departamento de Engenharia Química. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Avenida Antônio Carlos, n°6627, CEP: 31270-901, Belo Horizonte, MG, Brazil.
  • Adriana de Souza Medeiros Batista Departamento de Anatomia e Imagem. Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Avenida Alfredo Balena, n°190, CEP: 30130-100, Belo Horizonte, MG, Brazil.

Resumo

Oligoelementos são substâncias minerais traço que ocorrem em quantidades mínimas em organismos vivos e podem ser benéficas ou tóxicas, dependendo de sua concentração e biodisponibilidade. Compreender sua mobilidade em sistemas de solo e água é essencial para avaliar os riscos ambientais e à saúde humana, particularmente em áreas afetadas por atividades de mineração. Este estudo avaliou a mobilidade de cinco oligoelementos — arsênio (As), selênio (Se), alumínio (Al), urânio (U) e molibdênio (Mo) — em solos próximos a uma mina de urânio desativada em Salamanca, Espanha. O solo foi fracionado em três classes de tamanho de partícula e submetido a diferentes níveis de umidade (50%, 75%, 100%) e tempos de incubação (um, sete, 30 dias). As soluções do solo foram extraídas por centrifugação em diferentes velocidades, simulando as pressões de sucção associadas à disponibilidade de água no solo. As concentrações nas soluções do solo variaram de As: 0,5–12,3 µg/L, U: 0,2–8,7 µg/L, Al: 0,8–15,4 µg/L, Mo: 0,3–6,2 µg/L, Se: 0,1–2,8 µg/L, dependendo das condições ambientais. O aumento da umidade de 50% para 100% elevou as concentrações de As e U em até 60%, enquanto a mudança no tamanho das partículas, de areia grossa para silte/argila, alterou os níveis de As em mais de 70%. A análise de boxplot revelou valores discrepantes para As, Al, U e Mo, indicando forte sensibilidade à textura do solo e à disponibilidade de água. A ANOVA confirmou o tamanho das partículas como o fator mais influente (p < 0,05), seguido pela umidade e pela pressão de sucção, enquanto o tempo de incubação não apresentou efeito significativo. Esses resultados destacam o rápido equilíbrio e as respostas específicas de cada elemento, com implicações para o risco de contaminação das águas subterrâneas em paisagens pós-mineração.

Palavras-chave: contaminação ambiental, mina de urânio, mobilidade no solo, oligoelementos, recursos hídricos.

Publicado
24/01/2026
Seção
Artigos